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Terapia das tesouras: um papo sobre cabelo curto

14 abr

Quando se toma coragem de passar a tesoura com generosidade nos cabelos tudo fica tão melhor… A gente se sente revigorada, com o rosto mais limpo e, acreditem, até mais feminina. Sem contar a praticidade que é cuidar e arrumar cabelos assim! Adotei cabelos curtos aos 15 anos e, desde então, passou a ser um vício, ao mesmo tempo que uma espécie de terapia não ter medo das tesouras.

É uma delícia descobrir as possibilidades de si testando cortes e mais cortes de cabelo, sem medo de ser feliz! O interessante é perceber como a gente vai se abrindo para determinadas roupas e acessórios que não usavamos (ou não tanto) antes, numa espécie de experimentação mesmo. Lembro que num dos cortes mais curtos que fiz, passei a usar brincos grandes e cheios de movimento e mais presilhas e coisinhas de cabelo também. Corte chanel por exemplo, me fez querer mais saias e vestidos. Franja longa lateral me deixou com vontade de usar mais preto/branco/cinza e acessórios mais pesados e por aí vai.

Terapia reversa

Em 2009 eu mudei de cidade e, mais uma vez, de cabelo. Como ainda não tinha muita referência de salão em Belo Horizonte, comecei  a tesourar o próprio picumã. E deu super certo! Tanto que o povo não acreditava que era eu quem cortava. Em dias de tédio corria pro banheiro com uma tesoura e me dava cara nova em instantes. Nem que fosse só um picote na franja, mas fazia toda a diferença e uma sensação boa e até libertária de não depender de cabelereiro (apesar de que os profissionais sempre são os profissionais e ainda fazem a diferença no final).

Como as tesouras têm esse meio terapêutico para mim, na metade do ano passado decidi dar um tempo no “analista das lâminas afiadas”. Depois de quase 10 anos de cabelo curto decidi deixá-lo crescer. Mas essa não é uma empreitada nada fácil para uma short hair addict que quando o cabelo chegava até à altura do pescoço já ficava desesperada. Hoje ele está na altura dos ombros e, apesar de poder fazer vários penteados, não está sendo nada prático conviver. Então, estou seriamente inclinada a fazer as pazes com a tesoura novamente e estou à procura de novas  inspirações capilares.

Unidos do cabelo curto

Para esse novo possível corte, o muso inpiracional é Vidal Sasson, um dos cabeleireiros mais famosos da década de 60 por causa das suas aventuras capilares geométricas. Além de ter criado o penteado dos Beatles, Twiggy e o corte bob à moda inglesa (curto e angular, cortado em um plano horizontal), ele ficou famoso também pelo Five-Point Cut do cabelo da May Quant .

Vidal Sasson e cabelos incríveis

Twiggy

Peggy Moffitt

http://adrianasassoon.files.wordpress.com/2009/08/mary-quant-vidal-sassoon.jpg

Five-Point Cut na Mary Quant

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Corte bob

Outro corte do tipo “quero já” de Vidal é o que ele criou para a atriz Mia Farrow em  “O Bebê de Rosemary”, uma coisa meio à la Joana D’arc e que foi inspiração direta para várias atrizes ao longo dos anos. Hoje o corte foi atualizado pela atriz Carey Mulligan e, sem dúvida, é o curto do momento.

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Mia Farrow

Carey Mulligan

Winona Ryder

Michelle Williams

Kate Moss

Audrey Tautou

Agyness Deyn

Sandy Powell

Outros cortes para inspirar ainda mais o dia e a vontade de aderir às tesouras sem medo:

Gerador de penteados fofos

5 abr

A Internet veio para facilidar muitas coisas na vida. Uma delas é ajudar a escolher o penteado certo. 😉 O Tress to Impress é um gerador online de penteados que sugere opções simples para gente fazer sozinha em casa, com materiais que não vão muito além de pente, grampos, secador e (muito) laquê!

Interessou? Funciona assim: é só responder algumas perguntas básicas para informar o comprimento do cabelo, a ocasião que irá usar e a quantidade de tempo livre que você tem para se aprontar. Por enquanto são 18  tipos de penteados, todos com explicações detalhadas.

Olha esse aqui embaixo, meio Dorothy inspired, não?

Cabelo bom: a missão

30 nov

O post de hoje vai ser gigante, mas por um motivo digno do tempo de leitura a ser gasto. É que O poder e as políticas do “cabelo bom” rendeu e recebeu muitos comentários legais e um, em especial, foi de uma sinceridade avassaladora que não tive como deixá-lo passar batido.

Acontece que a Roberta Calazans, dona da tal sinceridade, abriu o coração lindamente e compartilhou com o Cahiers de la Mode todas as agruras que passou e sentiu durante anos, por achar que não tinha o “cabelo bom”. De todo o processo, a moça  tirou um ótimo ensinamento: não há cabelo melhor do que o nosso! Depois que descobriu o poder que estava escondido sob seus cachos, Roberta  só quer saber de aproveitá-los de mil e uma maneiras.

Leia na íntegra o que a ela nos contou e ainda confira fotos de seu histórico capilar:

Não tinha cabelo até os dois anos. De repente, cachinhos dourados tomaram conta da minha cabeça. E não eram poucos… Era uma fartura capilar impressionante! Mas eu não deixava minha mãe pentear meu cabelo, naquela época nada de cremes ativadores de cachos, finalizadores, anti frizz, silicones, levea-in, ou coisa parecida… Como meus cachos eram indomáveis e eu chorava quando minha mãe tentava ajeitá-los (doía muito a sessão de “penteamento”), a solução encontrada por ela foi cortar minhas madeixas num look completamente Joãozinho. Acho que chorei, não lembro, só lembro mesmo que depois disso nunca mais meu cachos foram dourados… Eles voltaram algum tempo depois numa versão castanho claro.

Não vou negar que sofria por não ter o cabelo liso como o das minhas duas irmãs… Pra elas ter cabelo sempre foi uma tarefa mais fácil, bem mais fácil pra dizer a verdade. Bastava lavar, esperar que eles secassem naturalmente, sem nenhum esforço ou artifício, e pronto: poderiam estrelar qualquer comercial de shampoo.

Comigo era diferente, eu tinha que usar Kolene ou Yamasterol, cremes que não cheiravam muito bem (até hoje enjôo só de lembrar). Tinha que fazer massagem todos os finais de semana com Bonaffide de abacate. Se tinha um evento, eu só conseguia me sentir bonita com uma escova bem lisinha, na época em que nem existia chapinha e o puxa-estica era bem mais doloroso.

Ah, e eu não sabia que cabelo cacheado-ondulado-crespo não se penteia quando seco!!! Nãaaaaooooooooooo!!!! Nunca penteie um cabelo cacheado-ondulado-crespo quando ele estiver seco!!! Os cachos ficam revoltados com o pente/escova e um evento físico eletrostático acontece!!! Só lavando de novo pra dar jeito.
E assim fui vivendo com Kolene, Yamasterol, Bonaffide, pente e elásticos, mas ainda sem aceitar muito bem por que eu tinha sido a escolhida da família para ostentar tamanha cabeleira!

Um belo dia, um comercial de TV me chamou a atenção. Uma mulher com cachos maravilhosos caminhava linda, leve e solta num cenário qualquer, embalada pela música “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos”. Eu fiquei completamente hipnotizada por aquelas cenas. Mas o comercial não revelava nada, era apenas um teaser anunciando que algo novo estava por vir! Sim, algo completamente novo! Dias depois, a revelação: uma linha completa feita especialmente para cabelos crespos, cacheados, ondulados! SEDA HIDRALOE era o nome! Eu não conseguia acreditar, passei dias e dias visitando vários supermercados em busca daqueles frascos milagrosos! Tinha shampoo, condicionador e creme para pentear! E adeus, Kolene! Adeus Yamasterol!

O lançamento foi um sucesso em todo o Brasil, afinal num país como o nosso, de cabeleiras tão fartas e volumosas, não era de se estranhar que tal evento causasse euforia entre as mulheres e uma frenética corrida às prateleiras. Há muito essas mulheres (e eu também) estavam ávidas por algo feito exclusivamente para elas, algo voltado especialmente para suas necessidades e particularidades! E viva a diferença! E viva Seda! Nunca vou esquecer que eles foram os primeiros! Nunca vou esquecer da primeira vez que usei a linha completa de Seda Hidraloe!!

De lá pra cá, várias outras marcas se deram conta do imenso público de mulheres cacheadas (e negligenciadas pela indústria da beleza)! As prateleiras dos supermercados e das lojinhas de beleza estão cheias de produtos bacaninhas para nos ajudar a ter lindos cachos! Mas não pensem que depois de Seda tudo mudou e eu passei a amar meus cachos. Não! Tudo ficou mais fácil sim e eu pude enfim me livrar do cheirinho enjoativo de Kolene e seus similares, e também passei a exibir cachos muito mais bonitos, é verdade.

Mas algo maior teve que acontecer para que enfim, eu me apaixonasse definitivamente por meu cabelo, assim do jeitinho cacheadinho que ele é. Foi em 2007. Eu fui ao salão e decidi passar uma daquelas químicas para relaxamento, não sei dizer nem o nome… Afinal, elas mudam de nome de acordo com o salão, com a estação do ano… Tem pra todos os gostos. Tem mais azedinha (cítrica), tem a doce (chocolate), tem japonesa, marroquina e lá vai… Não poderia ter feito nada pior pelos meu cachos! A agressão foi tanta (e olha que eu procurei um lugar bom e confiável), que meu cachinhos responderam à altura: ficaram completamente indefinidos, opacos, quebradiços e sem brilho. Amarguei um longo período com vergonha do meu cabelo e saudade, muita saudade deles, meus lindos e perfeitos cachinhos! Isso sem contar do cheiro insuportável que aquele negócio deixou no meu cabelo por dias. Insuportável a ponto de incomodar meus colegas de trabalho.

Foi depois disso e de uma grande campanha de amigos, familiares e do meu namorado para que eu nunca mais negasse os meus cachos, que comecei a ver minha cabeleira com outros olhos! Aprendi enfim a usar todo o poder dos meus cachos! Aprendi que quanto mais soltos e “ativados”, mais bonitos eles ficam! Aprendi que cabelos lisos não combinam comigo! Aprendi que ostentar uma cabeleira cacheada bem tratada é o que há! E assim vou vivendo e aprendendo mais e mais a cada dia. Cuidar de um cabelo cacheado-crespo-ondulado é um eterno aprendizado. E esse é o grande segredo!”

A Roberta fez legendas especiais para gente acompanhar as fotos desse histórico (primeiro quadro). Também há fotos da Roberta hoje (segundo quadro), feliz da vida com seus cachinhos! 🙂

Da esquerda para direita:

1. carequinha

2. cachinhos começam a aparecer

3. cachinhos dourados

4. joãozinho

5. voltando a ser menininha

6. franjão

7. franjinha (atenção para o liso escorrido das irmãs)

8. escova para a sessão de fotos no estúdio Sonótica

9. tentativa de alisamento com o pente

Aproveitando a lição da Roberta, convidamos sete leitoras que comentaram no mesmo post (cinco delas do ES e duas de MG) para participarem mais uma vez. Brunella, Elisângela, Laura, Lysie, Marianna, Rafaela e Rúbia mostram como é possível ficar bela e na moda usando a criatividade para ajeitar os cabelos.

Dá uma olhada e tenta fazer em casa! 😉

O poder e as políticas do “cabelo bom”

22 nov

Pense rápido e me diga numa tacada só: O que é cabelo bom para você?

A noção instaurada e constantemente trabalhada pela publicidade, com o aval das indústrias do cinema, da música e da moda, é a de que cabelo bom é aquele longo, macio, brilhante e liso! Aquilo que não se encaixa nesse padrão capilar acaba se tornando sinônimo de desleixo, cabelo feio e ruim. E é por aí que começa a história da ditadura do liso, de se tornar escrava da chapinha, escovas progressivas, cremes e de mil e uma formas e promessas de alisamento eterno dos cabelos.

Por vezes, podemos até ver alguns exemplos na mídia da aparente divulgação positiva dos cabelos crespos e cacheados. No entanto, é quase sempre uma conversa sobre “valorize seu cabelo e dome seus cachos, reduza o volume”. O papo poucas vezes é sobre “use seu cabelo assim, bem do jeito que ele é, a seu favor”.

Esse blog é super a favor da diversidade e da liberdade de escolha. Penso que não há problema em alisar ou mudar completamente os cabelos. A questão é quando essa se torna a única maneira da pessoa de sentir bem, bonita e aceita.

Cabelo bom, o filme

Se para gente adulta já é complicado lidar com essa questão capilar, imagine para uma criança de cinco anos, que pergunta ao pai por qual motivo ela não tem o tal cabelo bom. É de partir o coração e de se sentir convocado a fazer algo para mudar, nem que seja um pouco, essa noção. E foi dessa forma que o ator e comediante americano Chris Rock, que passou pela mesma situação com uma de suas filhas, resolveu investigar o assunto sob a forma de um filme documentário chamado Good Hair, ou cabelo bom.

Lançado nos Estados Unidos no mês passado, Good Hair foi escrito, produzido e narrado por Chris Rock, que saiu em jornada pelo país focando na motivação das mulheres, especialmente as negras, para cometerem verdadeiras loucuras para alisar os cabelos. Chris também vai atrás de químicos em fábricas de produtos capilares para desvendar o poder e os perigos desses cosméticos. Ele ainda aborda o mercado negro de cabelo na Índia, país que é o maior exportador de cabelos do mundo (que saem de lá para virarem caras perucas e extensões capilares).

Mesmo tratando o tema de forma bem humorada, como é característico de Chris Rock, o documentário aborda essencialmente  a questão da existência de um conformismo no tocante da não aceitação das diferenças, até mesmo pelas pessoas que não possuem cabelos naturalmente lisos. Um exemplo disso é uma lacuna representativa  que existe entre as próprias personalidades negras em assumir seus fios crespos. Beyonce, Rihanna, Tyra Banks, Naomi Campbell são apenas algumas delas que preferem investir em perucas  do que libertar os cachos.

ps: O que dizem por é que Beyonce possui uma coleção de perucas , cujo o valor ultrapassa um milhão de doláres. Parece que cantora tem um quartinho só para elas, com temperatura controlada e tudo.